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sábado, 7 de julho de 2012

Entendendo a Umbanda : Oferendas na natureza


Neste capítulo vemos Sofia, uma sacerdotisa que prazerosamente divide seus conhecimentos, ministrando uma aula sobre oferendas.

- Hoje vamos falar de um assunto importante: as oferendas na natureza – disse Sofia aos membros do terreiro. Nós, umbandistas fazemos as oferendas em sinal de respeito, devoção e também como agradecimento aos Orixás. Respeitamos a força e energia emanada pelos Orixás. Nossa devoção demonstra a nossa fé e amor. Agradecemos pelo poder que nos revitaliza e revigora, nos unindo diretamente ao criador.

Ao irmos ao local sagrado dos Orixás - matas, cachoeiras, pedreiras, praias, lagos, lagoas, mares, campos floridos, entre tantos outros - caminhamos ao encontro das energias puras divinas que, aliadas à nossa fé, nos ligam ao poder do Orixá. 

A oferenda que entregamos pode conter frutas, flores, bebidas e ervas, que serão imantados por nosso axé e oferecido em seguida. Esse nosso axé depositado nessa oferenda é usado pelos espíritos responsáveis pelo local sagrado em nosso benefício e às pessoas necessitadas.
Só que há um ponto que causa controvérsias entre sacerdotes e pensadores da Umbanda: deixar ou não deixar a oferenda no local sagrado?
Em minha opinião, como sacerdotisa que visa à proteção ambiental, é a de que não devemos deixar nada na natureza, e explico por que.
A parte óbvia é a de que, o que levamos e deixamos na natureza vira material em decomposição e lixo. Toda comida contida na oferenda assim como flores, folhas, bebidas e até mesmo materiais naturais como barro ou madeira, entrarão em decomposição com o passar do tempo, atraindo animais e aves que, muitas vezes, não fazem parte do habitat, o que desestabiliza a cadeia alimentar. Materiais como vidros, plásticos, metais, parafina, entre outros, levam dezenas ou centenas de anos para se decompor, logo, de imediato, é lixo.

Há também a parte que muitas vezes é ignorada por muitos seguidores da Umbanda, que é o fundamento da oferenda, e é nesse ponto que existe a controvérsia.
Suponhamos que vamos fazer uma oferenda na mata. Preparamos todos os materiais, colocamos tudo em seus devidos lugares, acendemos as velas, rezamos, depositamos nossa fé, fazemos o agradecimento, seguimos à risca todo o ritual que aprendemos. Nosso axé foi depositado na oferenda desde o momento que adquirimos os materiais até onde rezamos e agradecemos ao Orixá homenageado. A magia do fogo contida na vela foi devidamente orientada com nossa oração. A disposição dos materiais da oferenda abriu um portal de ligação entre nós e as energias contidas no planeta e no espaço. A energia contida na bebida, na comida, nas folhas e flores, também foi orientada de acordo com nossa oração. Outras formas de estímulo magístico também são ativadas se forem devidamente feitas, como riscar ponto com pemba ou cantar um ponto do orixá.

Esse processo todo de fazer uma oferenda para um Orixá pode levar vários minutos e em alguns casos, horas. Arriar uma oferenda numa encruzilhada urbanizada, e sair o mais depressa possível dali é uma coisa feita por aquele que não faz a menor idéia do que está fazendo, não deposita e não recebe nenhum axé e erra, inclusive, ao acreditar que está oferendando a Exú, mas na verdade está fazendo uma oferenda a qualquer espírito que estiver ali, desejoso de suprir suas necessidades de vícios.

Analisando calmamente o ato de ofertar, todo o axé emitido por nós e o axé recebido dos Orixás, é algo que dura poucos segundos, no máximo um ou dois minutos - que sabemos que estamos emitindo e recebendo axé por causa da vibração do nosso corpo. A vela que acendemos normalmente dura quatro horas para queimar e, segundo alguns magos, ela deve ser queimada até o fim. Concordo, mas também acho que podemos levar uma vela que dure menos, talvez uma hora, que é o tempo que dá para esperar a queima total, enquanto refletimos e rezamos por aquilo que fomos buscar com a oferenda.

Note que dá para fazer uma oferenda no local sagrado do Orixá, sem pressa, com muita fé, muito axé e sem depredar o meio ambiente. O que realmente manda na oferenda é a nossa fé, pois sem ela, estaríamos desperdiçando tempo e dinheiro. Além de não contribuirmos com a degradação ambiental, ainda reconquistamos o respeito da comunidade em relação à religião que respeita e protege a natureza.

Certa vez me perguntaram o que fazer com o material contido na oferenda, já que não será mais usado como lixo ambiental. Ora, uma vez que foi devidamente utilizado como meio de transporte de axé, a comida pode e deve ser consumida, a bebida tomada e materiais não consumíveis, reutilizados. E sabem por que podemos fazer isso? Porque a oferenda de um umbandista só contém coisas boas, boas vibrações, boas intenções, o desejo de fazer o bem, e isso tudo só atrai energia boa para a comida e bebida da oferenda.
Isso é Umbanda: o respeito ao ser humano, o respeito aos animais, o respeito à natureza, e por isso, a religião com fundamentos que funcionam. 

Texto produzido por: Newton Marcellino

2 comentários:

mercosul disse...

Gostaria de agradecer a orientação, pois, ficava angustiada sem saber o qeu fazer com o material utilizados nas oferendas, pois, também não concordava em deixá-la jogada ao tempo, por saber ser prejudicial ao meio ambiente e por regra à sociedade.
Suely

mercosul disse...

Gostaria de agradecer a orientação, pois, ficava angustiada sem saber o qeu fazer com o material utilizados nas oferendas, pois, também não concordava em deixá-la jogada ao tempo, por saber ser prejudicial ao meio ambiente e por regra à sociedade.
Suely